Pistas para a gestão da coleção digital (continuação)

As bibliotecas, hoje em dia, já são híbridas. Convivem com todos os materiais impressos e digitais, quer sejam locais ou remotos. Ilustração de Fernando Oliveira, 2020.

Embora, estejamos, ainda, numa fase de transição entre o impresso e o digital, as bibliotecas atuais já são híbridas, lembram os autores, ao citar Rusbridge (1998), onde, convivem, naturalmente, os materiais impressos e digitais, quer sejam locais ou remotos. O desafio à gestão da coleção é grande, graças à diversidade e complexidade dos recursos. Desde logo, como tipificar, organizar, classificar? As características e parâmetros alteram-se, comparativamente à gestão dos recursos impressos. 

Na gestão das coleções digitais abrem-se novas questões.  Ligadas à variedade e origem destes materiais e às suas características, os acessos online, se são gratuitos ou subscritos, autenticação de utilizadores e garantias de acessibilidade ou os direitos de uso de alguns materiais, por exemplo. O gestor da coleção pode sempre tentar adaptar os procedimentos tradicionais, mas, chegará a um ponto, em que se tornará incomportável, face às especificidades do digital.

A gestão das coleções digitais enquadradas na gestão da coleção, como um todo, é regida pelos documentos orientadores (2), de forma integrada e coerente, adaptada aos interesses de quem serve, com procedimentos semelhantes aos da coleção física. Várias  das questões centrais passam pela avaliação, seleção e atualização dos recursos que a integram, adequados aos currículos e projetos educativos existentes, ou ao meio sociocultural da comunidade. De seguida, vem outro conjunto de questões ligadas ao utilizador, como os acessos e utilização dos recursos, as condições de navegabilidade, funcionalidades de pesquisa, o respeito de normas e protocolos, conteúdos pagos ou gratuitos, licenciamentos, propriedade intelectual, políticas de utilização, etc.

Esta nova realidade obriga o professor-bibliotecário a estar muito atento e sabedor da sua gestão da coleção e da redefinição do seu conceito. Uma das tarefas importantes para avaliar os recursos, em termos de utilidade e relevância, de forma a fundamentar boas decisões, será monitorizar os dados de utilização dos softwares, ferramentas ou programas. Na gestão dos recursos digitais, tem que se perceber as questões técnicas intrínsecas a cada tipo de documento, tipos de texto, e-books, imagens estáticas e animadas, o áudio ou o vídeo, por exemplo.  

Um conjunto de novas tarefas, etapas e procedimentos técnicos passaram a fazer parte, do já complexo papel do professor-bibliotecário, definidas pela NISO (3), e que o farão, certamente, adequar o conceito de “gestão da coleção” às funcionalidades e aos novos desafios da sua biblioteca, inevitavelmente, interligado aos outros conceitos que giram em torno da coleção, o grande e precioso ativo da biblioteca. 

Referências bibliográficas:

(1) Rodrigues, Eloy; Carvalho, José (2013). Gestão e organização da coleção digital, RBE-MEC, Lisboa, pp.5-13. Acedido em: https://www.rbe.mec.pt/np4/file/871/be_rbe_3.pdf

(2). “Política da gestão da coleção: linhas orientadoras para a política de constituição e desenvolvimento da coleção”, Rede de Bibliotecas Escolares, Ministério da Educação, Lisboa, 2011. Acedido em: https://www.rbe.mec.pt/np4/file/103/gestao_colecao.pdf

(3). A Framework of Guidance for Building Good Digital Collections, NISO, 3rd edition, Baltimore, 2007. Acedido em: https://www.niso.org/sites/default/files/2017-08/framework3.pdf

Palavras-chave: gestão da coleção, coleção digital, collection management, digital collection

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Texto e imagens: Fernando Oliveira, Desenvolvimento e Gestão de Coleções, 2020.

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